sexta-feira, 14 de agosto de 2015

À queima-roupa

Um manto acobreado caía sobre a cidade decretando o fim do dia. Caminhava eu, apressado como sempre, chateado como nunca. Andar por aí sem ouvir música me deixa assim. Tal ausência que me permitiu ser testemunha ocular e auditiva de um ataque brutal.
Estavam ali, frente a frente, dois jovens, um homem e uma mulher, olhando-se olhos nos olhos. Cenário perfeito para uma cena romântica, mas não foi o que aconteceu. Sem muita cerimônia, ela sacou e disparou contra ele uma sonora rajada, deixando-o atônito enquanto virava-lhe as costas e saía caminhando rumo ao sol poente.
Ele foi atingido em cheio, sequer teve tempo de reagir.
Estático, no meio da calçada, enquanto ainda ressoavam os disparos "eu-não-sinto-mais-nada-por-você". Ele observava seu queixo, junto ao seu orgulho jogado ao chão, aos pés do povo que passava alheio ao seu infortúnio.

Junior Gros