domingo, 29 de maio de 2011

Aquém de era uma vez

Plaft! A realidade esbofeteou-lhe a cara e repousou nas folhas abertas sobre a mesa. Um gole no café já frio, uma olhada no relógio, está atrasada. Não apenas para o trabalho, está atrasada para a vida, anos passaram enquanto ela sonhava.
Seu corpo vivia a rotina dos dias insossos de trabalho, sua mente em outro lugar, sem subemprego, salário mínimo, privações, com alguém a seu lado, lindo, inteligente, bem sucedido. Novamente a realidade a esbofeteia, dessa vez com a água da chuva que cai sem aviso prévio. Chega ao ponto de ônibus com as roupas úmidas.
Espremida, pela janela do ônibus vê o mundo passando, prédios frios, o tom cinza presente por toda cidade. Diferente do que sonhou pra si, sem conforto, sem luxo, cercada de gente, mas sozinha.
Chega ao destino, entra na fila, bate o ponto, lá vai trocar horas da sua vida por trocados, para morar e dormir. Hora do almoço, comida fria, no telejornal imagens de um casamento, um príncipe e uma princesa, casamento real. Isso é sonho, real é a vida que leva.

Junior Gros.