domingo, 26 de setembro de 2010

Cigarras, formigas e a morte da monotonia.


O mundo me cansava, mesmo sem nunca ter ido além das fronteiras do meu quintal, tudo era monótono, não via mais graça em coisa alguma, pessoas, e seu desenfreado e frenético ir e vir atrás de riquezas, parecendo formigas acumulando provisões para tempos difíceis, em contra partida, havia os que apontavam esse ir e vir como a causa de todos os problemas da humanidade. Essa "rixa" épica entre cigarras, menestréis idealistas e formigas, operárias capitalistas, não fazia sentido nem nos contos de fadas.
Eis que um dia, a vida real e insossa ganhou cor, sentido, sabor, e o melhor, sem uma gota sequer de álcool ou qualquer outra substância, ilícita ou não, a mudança tinha forma, um que de mistério e provocação, exalava um perfume inquietante, desafiador, tinha chamas nos olhos, um sorriso enigmático que fazia com que conseguisse o que quisesse sem que seus lábios soltassem uma sílaba sequer, lábios que guardavam a o caminho para a loucura.
Naquele dia, a monotonia dos meus dias morreu.