terça-feira, 2 de novembro de 2010

Faxina

Hoje acordei, olhei ao meu redor e senti a necessidade de mais espaço, novas coisas chegaram e precisavam ser guardadas. Imediatamente comecei a abrir portas e gavetas, buscando identificar as coisas que estavam ali somente para ocupar espaços. Logo me vi cercado por papéis, fotos e objetos de toda natureza, cada um com um significado, atrelado a uma lembrança. Lembranças de momentos, pessoas. Não imaginava que havia tantas coisas, que seria tão difícil escolher dentre tantas coisas quais deveriam permanecer e quais deveriam ser descartadas. É verdade que muitas delas não farão a mínima diferença, não deixarão um pingo sequer de saudade, enquanto outras, mesmo que mínimas, são simplesmente indispensáveis, pois mesmo que se tratando de um simples rabisco em um pedaço de papel.
Atrelar objetos às lembranças é inevitável, pois tudo que guardamos, mesmo que por um instante, fez sentido por representar algo ou alguém que teve relevância em nossas vidas. Aliás, se comparo objetos com lembranças, não é errado comparar memórias com gavetas, afinal, gavetas guardam objetos, memórias são compostas de lembranças. Desta forma, cada fato acontecido em nossa vida vai sendo engavetado. Assim, passam dias, meses anos e, nossas gavetas vão sendo abarrotadas de pequenos e grandes fragmentos da nossa vida, são imagens, palavras, cheiros, aromas. E, assim como acontece na vida real, os espaços vão ficando raros, fatalmente precisamos limpar nossas gavetas, o que nos leva a ter de escolher entre tudo o que temos guardado o que realmente deve permanecer, parece simples, mas se olharmos com maior atenção chega quase a ser cruel, pois a exclusão de algumas lembranças, de certa forma, pode representar a exclusão de pessoas das nossas vidas.
E assim, entre limpezas e arrumações, vamos formando nosso relicário particular de lembranças, jogando algumas lembranças fora, colocando outras em lugar especial, que tenhamos sempre do que lembrar, mesmo que seja preciso apertar aqui e ali.


Junior Gros.