quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cambio Livre



Em algum momento você já parou para pensar que vivemos em um mundo que não nos dá nada de graça?
Não me refiro apenas a bens de consumo, mas às coisas em geral, ou melhor, as pessoas não dão nada gratuitamente umas às outras, pois certamente alguns entre vocês deve ter pensado na natureza que vem sendo explorada e esgotada desenfreadamente por sociedades cada mais ávidas por dinheiro, mas disso todos estão carecas de saber. Me refiro ao fato de que ninguém faz nada de graça, ou seja, de uma forma ou de outra as pessoas sempre fazem alguma coisa pelo próximo desejando algo em troca, exceções devem ser abertas pois mesmo em número cada vez menor existem aqueles dotados de um altruísmo quase inacreditável, e isso não é uma coisa que acontece só nos dias atuais, data da aparição do ser humano na terra, havia esse jogo de interesses entre os homens das cavernas, onde as "mulheres pré-históricas" forneciam certas vantagens em troca de comida e proteção, e os séculos se passaram e as coisas não mudaram, pois constantemente vemos em filmes e livros (sendo eles de ficção ou não) exemplos de personagens que trairiam a própria mãe em troca de algum favorecimento, material ou político. Tá, vai aflorar em algum lugar o questionamento de que se tais ações não seriam um modo de sobrevivência, não estou aqui para fazer julgamentos morais, até porque julgo que todos tem o discernimento decerto e errado para escolher qual o melhor rumo a seguir em suas vidas, mas trabalhar é o caminho mais longo e tortuoso de se alcançar objetivos, mas seguindo por ele dificilmente você terá de voltar para tapar buracos deixados no caminho.
Enfim, creio que todo cidadão deste país sabe bem com este tipo de coisa funciona, assim como sabe a formula básica de funcionamento de uma sociedade capitalista, onde tudo gira em cima de lucro, desde a exploração da matéria prima até o consumidor final. Mas não quero dar aula de economia aqui, até porque não sou capacitado para tanto, minha real intenção é explanar sobre as relações de interesse mútuo nas relações interpessoais, ou seja, da forma como as pessoas fazem boas ações esperando boas reações. É muito fácil perceber isso, um homem dificilmente se aproxima de uma bela garota apenas para saber qual a opinião dela sobre o técnico da seleção brasileira de futebol, a menos que ele seja pesquisador de alguma emissora de rádio ou TV, ele não tomaria tal atitude de livre espontânea vontade, ele espera de alguma forma extrair algo benéfico para si daquele contato, usei o exemplo dos homens por ser o mais comum, não que as mulheres também não tomem tais atitudes (leia o trecho acima onde falo da pré-história) optei pelo mais comum mesmo.
O mundo ao seu redor e as pessoas que nele vivem sempre estarão querendo extrair algo de você, a começar pelo seu tempo que servirá para bater alguma meta de contatos ou algo assim, passando pelo seu dinheiro, que serve como combustível para fazer girar as engrenagens da máquina capitalista do mundo globalizado, até as suas ideias que direta ou indiretamente podem valer milhões. Valer milhões? Sim, embora as pessoas aparentemente estejam cada vez mais ligadas umas às outras graças aos avanços tecnológicos cada vez mais impressionantes, há uma enorme dificuldade em pensar, ou seja, as pessoas estão ligadas umas às outras, interagindo entre si, compartilhando de tudo, vídeos, jogos, músicas etc. Mas há uma gritante dificuldade, não sei se por pressa, devido a correria constante a que somos submetidos, com tempo escasso, ou se por preguiça, já que com tantas informações disponíveis ao alcance de todos, para que perder tempo valioso pensando? E esse hackeamento de ideias não ocorre somente no meio profissional e acadêmico, na vida prática do dia a dia ocorre tanto quanto, hoje em dia as pessoas preferem muitas vezes se expor e delegar as resoluções de seus problemas a outras pessoas, do que pensar por si próprias nas formas de solucioná-los. Então fique atento, você pode ter uma mina de ouro sobre os ombros e nem sabe.


Junior Gros.