terça-feira, 12 de outubro de 2010

A vida na ponta dos dedos


De olhos fechados, abro a mão e lanço o dado à mesa. Ouço seu rolar abafado pelo tecido que recobre a mesa, ele para. Por um instante minha respiração cessa. Meus olhos se abrem, 1, retomo fôlego, êxtase momentâneo. Uma vez só não me satisfaz, tudo de novo e, de novo.
Emoções assim viciam, pessoas jogam por esporte, por dinheiro, por fama, eu jogo pelo desafio, pela sensação de estar à beira do abismo. A adrenalina é uma droga poderosa, porém, os meios enjoam, é como se fornecessem quantidades menores a cada nova sessão, quero mais, por isso a busca por novas fontes é constante. No inicio foram as cartas, poker, black jack, em seguida a roleta, jogos assim já não me satisfaziam, havia um mundo lá fora com opções mais interessantes. Passei então a desafiar limites físicos, do meu corpo e da própria física, saltando de lugares, construções, aviões, me levaram a níveis jamais alcançados, mas não demorou muito para que isso se tornasse insuficiente.
A vida é a aposta mais alta que se pode fazer, mas, cordas e pára-quedas de certa forma filtravam parte do risco. Qual seria o próximo passo então? Ter a vida à um lançar de dados e um apertar de dedos. Roleta russa.
O dado salta da mão novamente, rola sobre a mesa e para. Abro os olhos, 5, acho que consegui.


Junior Gros.