sábado, 24 de julho de 2010

Vigília

O carro corta o vento, rasga a noite fria. Estou rodando há horas por esse labirinto de concreto, não estou perdido, eu conheço a saída, conheço cada reta, cada curva, não procuro por nada, se procurasse saberia exatamente onde encontrar tudo. Sexo, álcool, outras drogas, encrenca, risos e até mesmo a morte. Cada qual com seu endereço próprio, alguns até são vizinhos, outros até compartilham do mesmo endereço.


Duas curvas e uma reta me trouxeram para casa. Daqui do alto vejo as luzes brilhando lá embaixo. Nas ruas, a baixa pulsação da cidade adormecida. Nas casas e edifícios, os filhos que repousam em seu seio. Todos diferentes, com suas raízes, suas histórias, mas todos com uma coisa em comum, todos filhos de uma mesma mãe, que os mantém aquecidos sob suas asas.
Levo a boca à taça de vinho, a ultima da noite. O dia começa a despontar, mostrando o céu cinzento, para mim, a face mais linda, a face pela qual me apaixonei.
A cidade desperta, ao mesmo tempo em que me deito. Quando a noite voltar, me trará junto com ela.

Junior Gros.