quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Stand by me

Entrou na sala apressado, revirou gavetas, potes, caixas. Foi até a estante, parou, olhou por alguns minutos. Passou o dedo pelas lombadas dos livros. Nada. Não estava lá.
Saiu para a rua, caminhou por entre as pessoas olhando para um lado e para outro, encarando as pessoas. Olhou vitrines, outdoors, sentou-se na praça, ficou observando os pombos comendo e as folhas dançando com o vento. Tudo em vão. Voltou para casa.
Tomou um banho demorado, comeu alguma coisa, encheu uma enorme caneca de café e sentou-se diante do computador. Pesquisou, leu, tentou refazer caminhos para ver se não havia deixado para trás, mas continuava sem achar. Tinha que estar lá em algum lugar. Onde? Deitou-se na cama angustiado pela dúvida. Rolou para um lado, para o outro e, quando achava finalmente ter encontrado, sem mais nem menos, foi nocauteado pelo sono.
Diferente da maioria dos dias, acordou antes do despertador. Colocou na conta da dúvida. Com quem tomou o café da manhã, embalado pelo som do ponteiro do relógio que, tal qual o coração do conto do Poe, não o deixava esquecer que o tempo estava se esgotando.
Foi até o banheiro, escovou os dentes. Sentou-se no vaso atendendo ao chamado da natureza. Fechou os olhos, respirou fundo, teve a sensação que aquele era o primeiro momento de sossego em muito tempo.
Ao abrir os olhos, contemplou-a bela e formosa a encará-lo, como se estivesse ali há muito tempo esperando por ele. Sabia que não poderia perder tempo, precisava agir, conversou com ela, não podia deixá-la partir. Arrependeu-se do costume de não levar o telefone para o banheiro.
Saiu apressado do banheiro, pegou a primeira caneta que encontrou e desenhou com traços e palavras em um embrulho de pão, tal qual viera ao mundo sua tão aguardada ideia.


Junior Gros

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